Nos últimos congressos de Urologia que participei vi muito forte uma tendência de se promover a Saúde do homem. Mas afinal o que é ser homem? Tomando como base uma sociedade patriarcal, uma resposta para essa indagação poderia convergir para a representação do homem de verdade. Meninos e meninas crescem sob a crença de que mulher e homem são o que são por natureza. No modelo de masculinidade a ser seguido, ressaltam-se as idéias de que o homem de verdade é solitário e reservado no que se refere às suas experiências pessoais. Por outro lado, espera-se que o homem compreenda demandas emocionais de suas parceiras(os) e de seus filhos, sendo cúmplice e sensível.

A sexualidade masculina tende a expressar mais inquietação, quando ameaçada, do que a feminina porque os homens separam a sua atividade sexual das outras atividades da vida, onde são capazes de encontrar um direcionamento estável e integral. Essas inquietações cada vez mais vêm deixando de ser encobertas e sendo mais discutidas nos consultórios!

 

A próstata, glândula de dimensões diminutas, localizada na base da bexiga, pode ser sede de dois processos distintos. O primeiro é o crescimento benigno, chamado de hiperplasia, que acomete quase 90% dos homens após os 40 anos e que produz dificuldade para a eliminação da urina. O segundo é o câncer de próstata, que surge associado ou não ao crescimento benigno e que se manifesta quase sempre depois que os homens completam 50 anos.

O toque retal é, relativamente, uma medida preventiva de baixo custo. No entanto, é um procedimento que mexe com o imaginário masculino, a ponto de afastar inúmeros homens da prevenção do câncer de próstata. Essa recusa não ocorre, necessariamente, por conta da falta de informações acerca da efetividade dessa medida preventiva. Quando arrebatados pelo senso comum, homens bem informados resistem a se prevenirem dessa forma.

A discussão para o campo da representação da masculinidade em geral aponta que a possibilidade de admitir debilidade ou fraqueza, ou sentir que a enfermidade possa reduzir sua capacidade produtiva, poderia colocar em risco a invulnerabilidade atribuída ao homem e conseqüentemente sua masculinidade. Assim, frente a um possível diagnóstico de câncer de próstata emerge no homem a fantasia da perda da virilidade.

No Brasil, como em outros países do mundo, o perfil de morbimortalidade por câncer de próstata também tem se alterado nas últimas décadas. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o número de casos novos estimados para o Brasil em 2005 era de 46.330. Este valor corresponde a um risco estimado de 51 casos novos a cada 100 mil homens, sendo o tipo de câncer mais freqüente em todas as regiões do país.

A prostatectomia radical é o mais antigo e possivelmente o mais eficaz método de tratamento do câncer de próstata localizado. No entanto, essa operação causa muitas complicações, entre as quais a incontinência urinária e a Disfunção erétil.

O tratamento da incontinência após a cirurgia de próstata depende do seu mecanismo, da sua importância e do tempo pós-cirúrgico. A reeducação do assoalho pélvico com trabalho da fisioterapia para fortalecimento do períneo deve ser considerada como a primeira opção de tratamento.

A Reabilitação do Assoalho Pélvico é eficaz quanto à redução dos sintomas urinários, como: a diminuição da perda urinária devido ao aumento da força de
contração da musculatura pélvica, aumento do intervalo entre as micções e conseqüentemente diminuição da freqüência urinária, diminuição do grau de
incontinência, melhora da função sexual e também maior satisfação dos pacientes após prostatectomia quanto à qualidade de vida. Outro método se baseia na transmissão de conhecimentos, para o paciente, a respeito do processo biológico em questão, a incontinência urinária, objetivando um controle voluntário sobre esse processo, a partir dos sintomas e sinais por ele apresentados.

A fisioterapia pode ser iniciada um dia após a retirada da sonda vesical para a obtenção da continência o mais rápido possível. Porém, a melhor opção, que já tem respaldo científico  seria estes paciente iniciarem o tratamento fisioterapêutico antes da cirurgia para já terem conhecimento dos exercícios a serem realizados no pós operatório e receberem as informações necessárias para sua recuperação tanto física quanto emocional. Pois, às vezes os médicos Urologistas não tem tempo de passar essas informações em suas consultas. O entendimento e compreensão de itens como: “Como será a relação sexual após a cirurgia?, Como será o orgasmo?, Precisarei usar fralda, forro, Protetor Masculino para incontinência Urinária?” são de extrema importância para o paciente e sua família.

“O prazer e a alegria de viver não podem ser concebidos sem luta, sem experiências dolorosas e sem um combate arduo consigo mesmo.” W.R

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